Tier S · Bizarrice doutrinária

O Livro de
Abraão

Joseph Smith comprou papiros egípcios de um showman ambulante, afirmou traduzir escritos de Abraão e publicou como escritura canônica. Em 1966 os papiros foram redescobertos — e egiptólogos confirmaram: é um Livro dos Mortos comum.

Kirtland, Ohio · 1835 · canonizado em 1880
Índice do documento

O que você vai encontrar aqui

Seção 01 — A compra

Um showman, quatro múmias
e onze rolos

A história começa com um empresário de exposições que percorria os Estados Unidos com múmias egípcias.

Em 3 de julho de 1835, Michael Chandler chegou a Kirtland, Ohio, com quatro múmias egípcias e vários rolos de papiro. Ele vendia ingressos para as pessoas verem os artefatos. Quando soube que um "profeta" que alegava traduzir línguas antigas morava na região, foi visitá-lo.

Joseph Smith examinou os rolos e declarou que continham escritos dos patriarcas bíblicos Abraão e José do Egito. Dias depois, a Igreja pagou US$ 2.400 (cerca de US$ 80 mil em dólares de 2025) por quatro múmias e os papiros.

3 jul 1835
Chandler chega a Kirtland

Exposição itinerante de múmias e papiros egípcios. Smith examina os rolos.

Jul 1835
Compra por US$ 2.400

Igreja adquire quatro múmias e vários rolos de papiro.

1835–1842
Produção do "Livro de Abraão"

Smith trabalha na tradução. Publica capítulos no jornal Times and Seasons em 1842.

1856
Papiros vendidos

Emma Smith vende os papiros para Abel Combs. Acredita-se que parte tenha sido perdida em um incêndio em Chicago (1871).

1880
Livro de Abraão canonizado

Incluído na Pérola de Grande Valor como escritura oficial da Igreja.

27 nov 1967
Papiros redescobertos

Metropolitan Museum of Art anuncia a redescoberta de 11 fragmentos dos papiros originais, que a Igreja acreditava perdidos.

Seção 02 — O que ele disse que traduziu

"Escritos de Abraão,
pela sua própria mão"

Joseph Smith foi específico sobre o que afirmava estar fazendo.

O próprio Livro de Abraão abre com a seguinte descrição, na introdução oficial da Igreja:

Introdução oficial do Livro de Abraão · churchofjesuschrist.org

Uma tradução, feita por Joseph Smith, de alguns antigos registros que chegaram às suas mãos provenientes das catacumbas do Egito. Os escritos de Abraão enquanto ele estava no Egito, chamados Livro de Abraão, escritos por sua própria mão, em papiro.

Além do texto em si, Joseph Smith produziu entre 1835 e 1836 um conjunto de cadernos hoje conhecidos como Kirtland Egyptian Papers — uma "gramática e alfabeto" egípcios, nos quais ele listava hieróglifos individuais e suas supostas traduções. Esses cadernos estão publicados pela própria Igreja no Joseph Smith Papers.

Nos Kirtland Egyptian Papers, um único hieróglifo aparece frequentemente traduzido como parágrafos inteiros do Livro de Abraão. Egiptólogos modernos, diante do mesmo símbolo, leem apenas uma palavra ou partícula comum.

Seção 03 — A redescoberta de 1966

Os papiros que a Igreja
pensava perdidos

Durante quase um século, acreditou-se que os papiros originais haviam queimado no Grande Incêndio de Chicago de 1871. Estavam guardados em Nova York.

Em maio de 1966, o professor Aziz S. Atiya, da Universidade de Utah, identificou fragmentos dos papiros de Joseph Smith no acervo do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Em 27 de novembro de 1967, o Museu transferiu oficialmente os fragmentos à Igreja — um evento anunciado pelo próprio N. Eldon Tanner, da Primeira Presidência, na revista oficial Improvement Era de janeiro de 1968.

Improvement Era · Janeiro de 1968 · N. Eldon Tanner

Recentemente, onze fragmentos de papiro, uma vez pertencentes ao profeta Joseph Smith, foram descobertos no Metropolitan Museum of Art em Nova York. Sobre o verso de alguns dos documentos estão desenhos e inscrições feitos pelo Profeta Joseph Smith ou seus escribas, o que identifica positivamente os documentos como uma vez tendo pertencido a ele.

Isso é decisivo: a Igreja confirmou oficialmente que os fragmentos redescobertos são os mesmos papiros que Joseph Smith usou como base do Livro de Abraão. Não há controvérsia sobre autenticidade.

Seção 04 — O que os papiros realmente dizem

Um livro funerário
comum

Quando egiptólogos puderam ler os papiros, o resultado foi inequívoco — e devastador.

Os fragmentos identificados são dois documentos funerários egípcios padrão:

📜
Livro dos Sopros (Permissão de Hôr)

Documento funerário ptolomaico (c. 150 a.C.) feito para um sacerdote chamado Hôr, filho de Osoreor. Dá instruções para a alma passar pelo julgamento dos mortos. Mil anos depois de Abraão ter vivido.

⚱️
Livro dos Mortos (de Tshenmîn)

Outro texto funerário, feito para uma mulher chamada Tshenmîn. Contém trechos dos capítulos 3, 4 e 110 do Livro dos Mortos egípcio — um compêndio para os defuntos.

O primeiro egiptólogo de credenciais acadêmicas a examinar os fragmentos foi Klaus Baer, do Oriental Institute da Universidade de Chicago. Sua análise foi publicada em 1968:

Klaus Baer · "The Breathing Permit of Hôr" · Dialogue 3:3 (Outono 1968)

O papiro diz: "Ó deuses das cavernas do oeste, deuses do céu, deuses da terra... Possa sua alma viver entre eles [...] possa seu corpo ser enterrado na oeste da necrópole." É um texto funerário. Não tem nenhuma relação com Abraão.

Três décadas depois, Robert K. Ritner, também da Universidade de Chicago e então o maior especialista mundial em magia e religião egípcia antiga, publicou a edição crítica completa:

Robert K. Ritner · The Joseph Smith Egyptian Papyri · Signature Books · 2011

As "traduções" de Smith em relação aos papiros que sobrevivem não têm absolutamente nenhuma conexão com os textos egípcios originais. Os papiros são documentos funerários rotineiros da era ptolomaica tardia, produzidos para indivíduos identificáveis pelo nome.

Análise crítica

Este é um dos únicos casos na história das religiões em que é possível comparar diretamente uma "tradução" profética com o texto original da fonte. O resultado é verificável por qualquer pessoa com acesso aos papiros digitalizados — e qualquer egiptólogo, mórmon ou não, com conhecimento de hierático, chega à mesma conclusão. A diferença entre o que Smith escreveu e o que os papiros dizem não é nuance de interpretação: é o contraste entre um texto religioso sobre Abraão em Ur e uma licença funerária egípcia para um sacerdote chamado Hôr.

Seção 05 — Os três fac-símiles

As imagens que Smith
interpretou

O Livro de Abraão inclui três ilustrações reproduzidas dos papiros. Smith forneceu "explicações" para cada figura — e aqui a comparação com a egiptologia é direta.

Os três fac-símiles estão disponíveis oficialmente no site da Igreja, cada um com a "explicação" dada por Joseph Smith. Abaixo, o que ele disse × o que os egiptólogos identificam:

Figura Joseph Smith disse Egiptologia identifica
Fac-símile 1, fig. 1 "O Anjo do Senhor" Alma-pássaro (ba) do morto Hôr
Fac-símile 1, fig. 3 "O ídolo sacerdote de Elquéner" Anúbis, deus egípcio do embalsamamento, com cabeça de chacal
Fac-símile 1, fig. 2 "Abraão amarrado sobre um altar" Hôr deitado no leito funerário para embalsamamento
Fac-símile 2 "Hipocéfalo — revelações de Kolob" Hipocéfalo padrão de um sacerdote, com fórmulas do Livro dos Mortos
Fac-símile 3 "Abraão sentado no trono de Faraó" Cena de julgamento de Osíris; o "Abraão" é Osíris entronizado

A identificação do Anúbis (figura 3 do Fac-símile 1) como "ídolo de Elquéner" foi contestada por egiptólogos desde o século XIX. O francês Théodule Devéria, do Louvre, analisou os fac-símiles já em 1861 a pedido do viajante Jules Remy — ou seja, cinco anos antes da Igreja publicar oficialmente o Livro de Abraão como escritura — e identificou as figuras corretamente.

Ou seja: já havia identificação egiptológica correta dos fac-símiles em 1861 — disponível em francês. Mas o Livro de Abraão foi canonizado como escritura oficial da Igreja em 1880, 19 anos depois, sem reconhecer o problema.

Seção 06 — A defesa atual

A resposta da Igreja
em 2014

Em julho de 2014, a Igreja publicou um ensaio oficial reconhecendo, pela primeira vez, os problemas. É um documento importante.

Gospel Topics Essay · "Translation and Historicity of the Book of Abraham" · jul/2014

Nenhum egiptólogo mórmon ou não-mórmon concorda com as interpretações de Joseph Smith de todos os elementos facsímiles do Livro de Abraão [...]. Os fragmentos dos papiros que sobreviveram não correspondem ao texto do Livro de Abraão e estão mais associados a documentos funerários egípcios antigos.

A partir desta admissão, os apologistas oficiais e semi-oficiais da Igreja desenvolveram três teorias de defesa:

🔄
Teoria dos "papiros perdidos"

Os papiros redescobertos seriam apenas uma fração dos originais; a fonte real do Livro de Abraão teria queimado em Chicago em 1871. Problema: os fac-símiles publicados correspondem exatamente aos fragmentos que sobraram.

Teoria do "catalisador"

Os papiros não seriam fonte, mas apenas um estímulo: Smith teria recebido o texto do Livro de Abraão por revelação direta, independente do que o papiro dizia. Problema: contradiz a afirmação literal da introdução canônica ("escritos por sua própria mão").

🔐
Teoria da "criptografia sagrada"

Os hieróglifos teriam um sentido oculto acessível apenas por inspiração. Problema: nenhuma evidência independente; não é falsificável; e os Kirtland Egyptian Papers mostram Smith trabalhando como tradutor convencional, não como vidente.

Análise crítica

As três teorias são mutuamente incompatíveis e cada uma exige abandonar alguma afirmação que a Igreja sustentou por mais de um século. O próprio ensaio oficial de 2014 oscila entre a teoria dos papiros perdidos e a teoria do catalisador, sem se comprometer com nenhuma — o que é, em si, uma admissão de que a explicação tradicional (tradução literal de papiros existentes) é insustentável.

Veredicto

O Livro de Abraão é o caso mais documentado da história das religiões em que é possível comparar uma "tradução" profética com a fonte original. O resultado dessa comparação é objetivo: Joseph Smith não traduziu o que disse que traduziu.

A própria Igreja admite em Gospel Topics Essay oficial que nenhum egiptólogo — mórmon ou não — endossa as interpretações de Smith dos fac-símiles, e que os papiros sobreviventes são textos funerários, não escritos de Abraão.

Reconhecer isso não exige hostilidade. Exige aceitar a evidência disponível — evidência que a própria instituição reconhece e publica em seu site oficial.

✦ FONTES PRIMÁRIAS · EGIPTOLOGIA ACADÊMICA · ADMISSÃO OFICIAL ✦
Seção 07 — Verificação

Fontes originais & comprovação

Todas as afirmações desta página podem ser verificadas nas fontes abaixo. Priorizamos fontes primárias: o próprio Livro de Abraão canônico, Joseph Smith Papers, Gospel Topics Essay oficial, e as três principais análises egiptológicas acadêmicas.

01 — Textos canônicos e oficiais da Igreja
01
O Livro de Abraão — texto canônico completo com fac-símiles
Pérola de Grande Valor · churchofjesuschrist.org
Texto oficial publicado pela Igreja, incluindo a introdução ("escritos por sua própria mão, em papiro") e as três ilustrações (fac-símiles 1, 2 e 3) com as "explicações" dadas por Joseph Smith para cada figura.
Afirmação de autoria ("por sua própria mão") Explicações dos fac-símiles Texto canônico completo
churchofjesuschrist.org — Livro de Abraão (português) Escritura canônica oficial
02
Tradução e Historicidade do Livro de Abraão — Gospel Topics Essay
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias · jul/2014
Ensaio oficial em que a Igreja, pela primeira vez, reconhece formalmente que nenhum egiptólogo (mórmon ou não) endossa as interpretações de Smith dos fac-símiles, e que os papiros sobreviventes são textos funerários. Documento central de auto-documentação institucional.
Nenhum egiptólogo concorda com Smith Papiros são documentos funerários Oscilação entre teorias de defesa
"No egiptólogo santo dos últimos dias ou não santo dos últimos dias concorda com as interpretações de Joseph Smith de todos os elementos dos fac-símiles do Livro de Abraão."
churchofjesuschrist.org — Gospel Topics Essay (português) Autodocumentação institucional
03
Improvement Era, janeiro de 1968 — anúncio da redescoberta
N. Eldon Tanner · Primeira Presidência · churchofjesuschrist.org
Artigo oficial confirmando que os 11 fragmentos de papiro redescobertos no Metropolitan Museum of Art de Nova York em 1966–67 são os mesmos papiros que pertenceram a Joseph Smith. A identificação positiva foi feita pelos próprios desenhos de Smith e seus escribas no verso dos papiros.
Autenticidade dos fragmentos Transferência do MET para a Igreja Data: 27/nov/1967
"Onze fragmentos de papiro, uma vez pertencentes ao profeta Joseph Smith, foram descobertos no Metropolitan Museum of Art em Nova York."
archive.org — Improvement Era, jan/1968 Publicação oficial da Igreja
02 — Manuscritos primários (Joseph Smith Papers)
04
Book of Abraham Manuscripts — Joseph Smith Papers
Church Historian's Press · josephsmithpapers.org
Transcrição digitalizada de todos os manuscritos originais do Livro de Abraão, produzidos entre 1835 e 1842 pelos escribas de Smith (Frederick G. Williams, Warren Parrish, Willard Richards). Inclui as três versões manuscritas conhecidas e as cópias do "alfabeto egípcio".
Processo de tradução documentado Hieróglifos individuais × parágrafos longos Três manuscritos sobreviventes
josephsmithpapers.org — Book of Abraham and Related Manuscripts Fonte primária · transcrição acadêmica
05
Kirtland Egyptian Papers (KEP) — "Grammar and Alphabet of the Egyptian Language"
Church Historian's Press · Joseph Smith Papers, Revelations and Translations vol. 4
Conjunto de cadernos produzidos entre 1835 e 1836 em que Joseph Smith e seus escribas atribuem significados a hieróglifos individuais. Crítico porque mostra o método de trabalho: um único hieróglifo frequentemente corresponde a um parágrafo inteiro do Livro de Abraão — padrão incompatível com tradução convencional.
Método de "tradução" documentado 1 hieróglifo → vários parágrafos Contradiz a teoria do "catalisador"
josephsmithpapers.org — Grammar and Alphabet of the Egyptian Language Manuscrito primário · Church Historian's Press
03 — Egiptologia acadêmica
06
Klaus Baer — "The Breathing Permit of Hôr"
Dialogue: A Journal of Mormon Thought, vol. 3, nº 3 · Outono de 1968 · Oriental Institute, University of Chicago
Primeira tradução acadêmica completa do "Papyrus Joseph Smith I" feita por egiptólogo de credenciais reconhecidas. Baer confirma que o papiro é um "Livro dos Sopros" ptolomaico tardio (c. 150 a.C.) pertencente ao sacerdote Hôr — mil anos posterior ao período bíblico de Abraão.
Datação ptolomaica (c. 150 a.C.) Identificação: Livro dos Sopros Nome do morto: Hôr, filho de Osoreor
"Ó deuses das cavernas do oeste [...] é um texto funerário. Não tem nenhuma relação com Abraão." — Baer, 1968
dialoguejournal.com — "The Breathing Permit of Hôr" (1968) Egiptólogo peer-reviewed · Univ. Chicago
07
Robert K. Ritner — The Joseph Smith Egyptian Papyri: A Complete Edition
Signature Books, 2011 · ISBN 978-1560852209 · Oriental Institute, University of Chicago
Edição crítica definitiva de todos os fragmentos sobreviventes dos papiros de Joseph Smith, produzida por um dos maiores egiptólogos vivos (falecido em 2021). Inclui transliteração, tradução, análise filológica e comparação linha a linha com as "explicações" de Smith. Ritner foi orientado por Klaus Baer e Edward F. Wente.
Edição crítica completa Tradução de todos os fragmentos Comparação fac-símiles × texto original
"As 'traduções' de Smith em relação aos papiros que sobrevivem não têm absolutamente nenhuma conexão com os textos egípcios originais."
signaturebookslibrary.org — The Joseph Smith Egyptian Papyri Edição acadêmica definitiva
08
Théodule Devéria — análise dos fac-símiles de 1861
Museu do Louvre · Publicado em Jules Remy, Voyage au Pays des Mormons, 1860/1861
Egiptólogo francês do Louvre que foi o primeiro a analisar os três fac-símiles do Livro de Abraão — dezenove anos antes da canonização oficial. Identificou corretamente Anúbis, a cena do leito funerário e o hipocéfalo, sem saber o que Smith havia publicado sobre eles.
Primeira análise egiptológica (1861) Identificação correta do Anúbis 19 anos antes da canonização
archive.org — Jules Remy, A Voyage to the Land of the Mormons (1861) Fonte histórica primária · Louvre
09
John Gee — An Introduction to the Book of Abraham
Religious Studies Center, Brigham Young University · 2017 · ISBN 978-1944394929
Principal obra apologética atual da Igreja. Gee é egiptólogo formado em Yale e professor no Neal A. Maxwell Institute da BYU. Ele defende a teoria dos "papiros perdidos" e oferece a principal contra-argumentação acadêmica mórmon. Incluído aqui justamente como fonte do "outro lado" — permite ao leitor ver que mesmo a defesa mais robusta admite que os fragmentos sobreviventes não correspondem ao Livro de Abraão.
Defesa apologética atual Teoria dos "papiros perdidos" Autor com credenciais em Yale
rsc.byu.edu — An Introduction to the Book of Abraham Apologética acadêmica mórmon
Fonte primária verificada academicamente
Fonte oficial da própria Igreja
Link verificado em abril de 2026

Análise educacional. As identificações egiptológicas consensuais são consistentes entre Klaus Baer (1968), Robert Ritner (2011) e John Gee (2017, apologista da BYU): os fragmentos sobreviventes são documentos funerários ptolomaicos. A discussão entre críticos e apologistas hoje não gira em torno do que os papiros dizem — gira em torno de como justificar o que Joseph Smith escreveu, dado o que os papiros dizem.